Introdução Os cometas são corpos celestes constituídos de gelo e poeira. O modelo apresentado pelo astrônomo americano Fred Lawrence Whipple em 1950, define os cometas como sendo bolas de gelo sujo. A parte sólida no interior dos cometas é o núcleo, e normalmente tem 1 a 10 Km de diâmetro, composto predominantemente por água, metano, amônia e dióxido de carbono, todos em estado sólido. Quando um cometa se aproxima do Sol a menos de 5 UA, as partículas são ejetadas do núcleo com velocidades próximas de 0,5 Km/s, ocorrendo sublimação e parte do gelo derrete, formando uma grande nuvem de gás e poeira ao seu redor denominada coma, que é uma parte efêmera com diâmetro da ordem de 100 mil Km. A coma resplandece devido a fluorescência, ou seja um fenômeno de excitação luminosa dos átomos que a compõem, devido à radiação solar ultravioleta. A pressão de radiação do Sol provoca o escape de gás e de poeira da coma formando a cauda, que sempre aponta na direção oposta à do Sol, estendendo-se até cerca de 150 milhões de Km de comprimento. Normalmente podem ser observadas duas caudas, uma cauda de gás e uma cauda de poeira. A cauda de poeira é mais larga, curva, e amarela porque brilha devido à reflexão da luz solar na poeira. A cauda de gás é reta e azul, pois brilha devido à emissão do monóxido de carbono ionizado, cuja freqüência é cerca de 700 THz. As duas caudas podem ser observadas na imagem abaixo do cometa West-Kohoutek-Ikemura. Copyright © 1975 John Laborde O halo é um imenso envoltório de hidrogênio formado pela dissociação da água de cada estrutura do cometa, podendo ser visto da Terra porque emite principalmente raios ultravioletas que são absorvidos pela nossa atmosfera. Esta estrutura foi descoberta no século passado através de satélites artificiais lançados com fins científicos. Algumas vezes é observada também uma anti-cauda, isto é, uma cauda na direção do Sol. Essa cauda é um efeito de perspectiva, causado por partículas grandes (0,1 a 1 mm de diâmetro), ejetadas do núcleo, que não são arrastadas pelo vento solar, permanecendo na órbita. Este efeito foi visto, por exemplo, em 1957 no cometa Arend-Roland. Copyright © 1957 K. W. Schrick Ao contrário dos planetas que têm órbitas quase circulares com uma pequena excentricidade, e cujos planos orbitais são quase co-planares, os cometas percorrem órbitas muito elípticas ou até parabólicas e hiperbólicas, e com planos orbitais inclinados, conforme visto na figura a seguir. Nota-se que a excentricidade de uma elipse é maior do que zero e menor do que um; a parábola é um cônica com excentricidade igual a um; a hipérbole tem excentricidade maior que um. Os cometas periódicos redescobertos num novo retorno, como o Halley, o primeiro cometa cuja periodicidade se comprovou, cuja previsão formulada em 1682 pelo célebre astrônomo inglês Edmund Halley quem, estudando as órbitas de antigos cometas, percebeu que algumas se assemelhavam e podiam ser interpretadas como as sucessivas passagens de um mesmo objeto celeste. Ele reparou que alguns dos registros tinham datas espaçadas de aproximadamente 76 anos. Particularmente, se os cometas de 1531, 1607 e 1682 fossem o mesmo corpo celeste, então ele deveria passar novamente em 1758. Na realidade, todas as passagens do cometa Halley desde o ano 248 AC foram registradas. O cometa Halley retornou em 1758, confirmando a profecia pontualmente numa noite de Natal, porém Edmund Halley não pode contemplar tal fato, pois havia falecido em 1742. No seu último retorno o cometa Halley passou pelo periélio em 9 de fevereiro de 1986, sendo explorado por quatro sondas: duas soviéticas (Vega), duas japonesas (Sakigake e Suisei) e uma européia (Giotto). O seu próximo regresso será em 2061.
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